O LÍDER VITORIOSO - CAPÍTULO IV - ACERTANDO OS RELACIONAMENTOS SOCIAIS

15 - Outra característica de um líder vitorioso, é que além de ser vitorioso em seus embates contra a inimigo, também necessita prevalecer na condução de seu próprio povo. Os relacionamentos entre o povo de Deus devem expressar Seu caráter. Devem expressar de uns para com os outros amor, bondade, cuidado, generosidade, proteção, etc. Entretanto, a vida egocêntrica usa todas as oportunidades possíveis para se manifestar, e produz resultados nefastos. A vida egocentrica se torna um poderoso inimigo interno, que debilita e destrói o povo de Deus. Através capítulo cinco de Neemias entendemos que a reconstrução foi feita num período de grande escassez e fome, v.3. Os mais ricos se tornaram instrumento de opressão, usaram a mesma estratégia mundana de nossos dias: abusar das necessidades dos mais pobres como meio para ficarem ainda mais ricos. O capítulo cinco relata que as famílias tinham muitos filhos v.2 e já não tinham mais o que comer, porisso levantaram sua voz contra seus irmãos. Ai está a primeira grande investida do inimigo interno: divisão, dissenção, amargura de uns contra os outros, injustiça social e o clamor por justiça dos oprimidos. Num cenário como esse, a benção do Senhor não pode se estabelcer, se o líder não se levantar promover as mudanças necessárias, certamente o juízo de Deus será derramado contra seu povo. Vemos isso através da história do povo de Israel, Deus é um Deus justo e se levanta contra a opressão e impiedade.
Vivemos tempos em que o individualismo se tornou a mais alta forma de expressão humana. Entretanto, ao lermos a bíblia vemos a enfase que Deus coloca sobre Sua presença e a vigência de seus preceitos nas manifestações sociais. Infelizmente, como resultado do individualismo, temos a concepção de que o relacionamento com Deus é algo que deve acontecer estritamente na esfera pessoal, nunca comunitária. e assim temos a idéia equivocada de que o governo e a igreja são coisas separadas, como se governo e governantes não necessitassem estar submissos aos preceitos de Deus. A consequência imedita disso é que a rebelião se instala na sociedade humana e, por conseguinte, se torna a norma para o indivíduo. Foi exatamente isso que aconteceu no tempo em que Neemias estava fazendo o trabalho da reconstrução. Também é exatamente isso vemos acontecendo em nosso dias. Porque a o ser humano é social, sua identidade tanto moral como spiritual são grandemente influenciadas pela cultura da sociedade em que vivem.

O problema da rebelião

O Clamor por justiça social que vamos estudar neste tópico, é o resultado da rebelião dos líderes e dos poderosos de Israel contra os preceitos de Deus. Queremos tratar sobre rebelião neste tópico, devido ao fato do assunto ser tão importante e ao mesmo tempo se tratado de forma tão elusiva em nossos dias. Rebelião pode ser definida de maneira simples como sendo um ato de desafio a uma autoridade ou a um regulamento anteriormente estabelecido. Queremos analizar rebelião sob a perspectiva de duas categorias gerais, reconhecendo que essas categorias não são auto-excludentes . Como estratégia didática, vamos apresentar essas duas categorias de rebelião com encontradas na vida de dois personagens que foram discípulos de Jesus: Pedro e Judas. O caso da rebelião de Pedro e Judas são realmente similares ao que aconteceu no tempo de Neemias. Tanto nun caso como no outro, as pessoas deveriam submeter-se a Palavra de Deus e seus mandamentos. Veja como Jesus, de maneira explicita delarou aos discípulos sua expectative: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” Mateus 16:24,25. Rebelião era não se ajustar aos padrões colocados por Jesus. Porém, antes de começarmos, queremos deixar claro que todo tipo de rebelião é pecado e traz consequencias para o rebelde.
Para pensarmos na categoria de rebelião na qual Pedro esteve envolvido, vamos olhar dois textos bíblicos. É claro que existem muito mais, porém vamos nos restringir a estes. O primeiro deles é Mateus 26:31a35 “Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas. Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim.
Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo”. O segundo é Mateus 16: 21 a 23: “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”.
A primeira coisa que aprendemos com a rebelião de Pedro, é que ela nasceu de um conflito de interessese e expectativas. Pedro esperava que Jesus, como Messias, iria expulsar o império Romano, estabelecer seu reino, e ele iria reinar com Ele. De maneira nenhuma ele aceitava que Jesus iria morrer, pois isso também mataria seus sonhos. Uma coisa temos que entender claramente: seu interesse e expectativas eram resultados do entendimento bíblico que tinha, esse entendimento gerava o paradigma pelo qual dirigia sua vida. As expectativas eram falsas, porém não deliberadamente falsificadas. Eram resultado de enfases e entendimento errado da Palavra de Deus. Em outras palavras: ainda que tivessem expectativas falsas, eles esperavam que elas fossem resultados da operação de Deus. Acontecia com ele exatamente a mesma coisa que acontecia com todos os Judeus de sua época. Veja o que Paulo explica em Romanos 10:2,3: “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus”. Isso é rebelião e pecado contra Deus. Esse tipo de rebelião causou muitas dores e decepções para Pedro, porém através da correção e do ensino sua rebelião foi tratada, ele se tornou um discípulo confiável e teve futuro como líder na igreja de Jesus. Podemos dizer que Pedro teve muitos atos de rebeldia, porém Jesus era seu Senhor. Isto é, praticar atos de rebeldia devido a paradigmas errados e ser rebelde em sua natureza são coisas bem diferentes.
No caso de Judas, sua rebelião teve algumas das mesmas origens que a de Pedro, porém também teve particularidades bem definidas. Vejamos alguns textos: Lucas 6:16: “Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor”. Joao 12: 4 a6: “Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. Joao 2:2,27; “2 Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus,27E, após o bocado, imediatamente, entrou nele Satanás. Então, disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa”. Mateus 26: 14a16; 4749: “14Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs: 15Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. 16E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar. 47Falava ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos doze, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo. 48Ora, o traidor lhes tinha dado este sinal: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o. 49E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou. Mateus 27:3a5: 3Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: 4 Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo.
5 Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se.
Eis aqui algumas coisas sobre a rebelião de Judas: a primeira é que o texto de Lucas 6:16 nos ensina que ele “se tornou traidor”. Isso significa claramente que o fato dele não se conformar com aquilo que Jesus estava ensinando, ser rebelde, ele se tornou traidor. Isto é, ninguém pode tornar-se se já for, voce precisa não ser para tornar-se. A segunda coisa relacionada com a rebeliao de Judas, é que ele tinha um propósito no coração o qual não era relacionado com nenhuma expectativa decorrente da sua fé em Deus. Isto é, não era um erro de entendimento das coisas de Deus, era uma coisa sem relação nenhuma com Deus. Não era simplesmente um ato de rebeldia, mas algo deliberadamente fora da vontade de Deus. Ele era ladrão por decisão. É isso que nos relata Joao 12:4a6. Uma terceira característica da rebelião de Judas é a de que ele não sòmente deixou Satanáz colocar coisas em sua cabeça, mas permitiu que Satanáz entrasse nele. Pedro, em sua rebelião, permitiu que Satanáz usasse sua boca, mas jamais permitiu que Satanáz o possuísse. Essa é a razão porque a correção de Jesus funcionou para Pedro e não para Judas. Uma quarta coisa é que a rebelião de Judas o levou a uma traição deliberada. Ele concebeu um plano e executou a traição de maneira cuidadosa, esperando a hora certa, como nos informa o texto acima. Pedro também traiu a Jesus, porém nunca traçou ou concebeu um plano para fazer isso. Finalmente, Judas jamais teve arrependimento por aquilo que fez. O texto diz que ele sentiu remorso. Pense comigo: porque Judas, depois que viu que iriam mater Jesus, tentou desfazer o negócio, devolvendo o dinheiro? Porque quando não conseguiu desfazer o negócio ficou com remorse e foi enforcer-se? Eis aqui uma possibilidade: Judas sabia realmente quem era Jesus, conhecia seu poder, sabia que nada poderia acontecer com ele for a do propósito de Deus. Cria comos demais discípulos que Jesus iria reinar em Israel. Então concebeu um plano brilhante para ganhar dinheiro usando Jesus. Faria negócio com aqueles que o queriam matar, entregaria usando a senha do beijo, ai Jesus usaria seu poder e escaparia da mãos deles, e ele tranquilamente embolsava o dinheiro. Porém quando percebeu que Jesus não iria fazer o que ele pensou, ficou desesperado, devolve o dinheiro, mas como os fariseus não soltaram Jesus, sentiu tanto remorso que resolveu enforcar-se.
É um paralelo impressionando quando comparamos Pedro e Judas após a traição. Temos dois traidores com final de histórias diferentes. Dois tipos de rebelião diferentes, duas consequências diferentes. Judas, por remorso, enforcou-se, Pedro por arrependimento, chorou amargamente mas acabou voltando para Jesus. Finalizando o assunto da rebelião, resumimos as duas categorias das quais estamos falando dessa maneira: a rebelia tipo rebelião de Pedro consiste em atos de rebelião advindos de um paradigma errado, interesses e expectativas que vem de um entendimento errado da Palavra de Deus, mas que porém tem Deus como centro. Emboras isso parece não tão prejudicial, Pedro acabou tendo em seu currículo uma história de traição. A rebelião tipo rebelião de Judas advém de um paradigma errado, de interesses e expectativa que não tem nenhum relacionamento com a Palavra de Deus, são pura expressão da decisão humana de adquirir e realizar aquilo que por si mesmos propuseram em seus corações. O problema da rebelião de Judas era seu amor ao dinheiro, isso custou-lhe a vida. Vida terrena e eterna.