Missio Dei


Missio Dei – A Missão de Deus
Hebreus 10:5

Muitas vezes ficamos confusos quando pensamos em missões. Os métodos usados para cumprir a ordem dada por Jesus em nossos dias são tão variados, que chegamos a conclusão que Ele deu a ordem e nós decidimos o método para cumpri-la. Na verdade a biblia nos ensina que ao dar a ordem, o método também foi instituído: a missão de Deus é encarnacionista. Veja esse versículo abaixo, uma citação do Salmo 40 repetida em Hebreus 10:5: “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta näo quiseste, Mas corpo me formaste”. Isso significa dizer que quando Deus resolveu fazer missões, o método foi a encarnação do Filho.

Fazendo-se carne, ele alcançou alguns objetivos: 1) identificação. Ao identificar-se com o ser humano, Jesus pode entende-lo de maneira experimental. “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo”Heb 2:17. Ao identificar-se com a humanidade, Jesus foi aperfeiçoado como ser humano. “Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles” Heb 2:10. Ele foi tentado em todas as coisas mas não fez o que nosso pai terreno Adão tinha feito: pecou. 2) Tornou-se o molde para os filhos de Deus. Porisso ele se tornou o Segundo Adão e a matriz para todos os filhos de Deus.  “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida” Heb 2: 14,14. 3) Seu método missionário tornou-se modelo.  “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará”.  João 12:24 a 26.

Ao se fazer carne, Jesus tornou-se o grão de trigo que caiu na terra, morreu, ressuscitou e produziu muito fruto. Assim Deus cumpriu a missão através dele. Hoje, somos os continuadores da missão de Jesus. Quando nascemos de novo, nos tornamos grãos de trigo da mesma espécie de Jesus. Porisso temos que cair na terra e “perder a vida” para conservá-la para a vida eterna. Ao cairemos na terra e morrermos, produzimos muito fruto, que é o resultado da vida de Jesus que há em nós. Pessoas nascem de novo quando a vida de Jesus que está em nós é transmitida a eles por meio do nosso ministério missionário.

Pr. Joao Carlos 
Igreja Consumista

Tem sido dito que vivemos na era do consumo e do excesso. Esse consumo vai muito além do simples materialismo, mas tem se tornado o próprio tecido da nossa cultura, transformando-se num estilo de vida nos dias de hoje.
O filósofo francês Jean Baudrillard certa vez disse que em nossos dias ”o consumo é um sistema de significado.” Em outras palavras, você é o que você consome. De acordo com Baudrillard, a qualidade dos carros, roupas e aparelhos que possuímos acabam por definir quem somos em nossa sociedade hoje.
O consumo é um sistema de significado.
- Jean Baudrillard
O consumismo de hoje tornou-se a nossa cultura, a própria coisa que nos dá significado, identidade e valor. Enquanto o consumismo continua a moldar nossa cultura, a mentalidade do consumismo é a força que rege o nosso comportamento à medida que interagimos com o mundo ao nosso redor. Esta mentalidade é marcada por um intenso pragmatismo, onde o consumidor está sempre procurando extrair o maior valor pelo mínimo esforço.
Dado que a religião não é senão uma sub-cultura em nossos dias, a nossa tendência é de adaptar a mentalidade consumista sempre que lidamos com a igreja. Muitos de nós olhamos para a igreja como uma simples fornecedora de serviços no comércio da fé, e com o intuito de atrair um maior número de fiéis, igrejas têm se ajustado à cultura, visando proporcionar os melhores “serviços” e “experiências” para os seus visitantes.
No entanto, é no comércio que as empresas competem entre si para oferecer os melhores produtos e serviços, para assim, captar a atenção dos seus consumidores. O mesmo também é verdade com o mercado religioso, o consumismo em nossa cultura tem causado igrejas a competir uma com a outra, e assim agora podemos encontrar igrejas que são caracterizadas pelos programas que oferecem, quer seja para crianças, adolescentes ou adultos.
Igrejas impulsionadas pela cultura do consumismo são tão pragmáticas quanto os indivíduos que a frequentam, pois elas se conformam ao invés de transformarem a cultura à sua volta sempre mudando os seus programas para agradarem seus membros. Com essa tendência atual, tais igrejas se tornam vazias de compromisso, doutrinas bíblicas e forte conhecimento de Deus, as mesmas virtudes que marcaram a Igreja Primitiva conforme lemos em Atos 4:32.
Assim sendo, o indivíduo cristão que possui uma mentalidade consumista vai sempre procurar a igreja que tem os programas que mais lhe agradam sem nunca pensar em maneiras que possa servir aqueles à sua volta. Este mesmo indivíduo vai então medir a sua experiência baseada na melhor “emoção” pelo mínimo esforço requerido, transformando a igreja numa simples “provedora de experiências emocionais”, assim como eventos esportivos, shows musicais, etc.
A solução para o atual estado da igreja é reformar ao invés de conformar-se com a cultura à sua volta. A igreja precisa ser um farol de luz que declara a verdade da Palavra de Deus para o mundo, em vez de ser apenas mais um provedor de produtos que são comercializados para agradar seus consumidores.
Como Igreja de Cristo, a nossa mentalidade precisa ser focada em servir e não apenas ser servido. A igreja é um lugar para os machucados, necessitados e destituídos. É também um lugar que deve promover a redenção e reconciliação e que não visa apenas providenciar “boas experiências emocionais”.
Em última análise, devemos lembrar que somos chamados para sermos agentes ativos de transformação e não apenas consumidores passivos do mais recente produto da fé.
Pastor Andre Rocha.

Passos para a completa crucificação do eu


Tradução de parte da Carta de Madame Guyon
 escrita para  para Francois Fenelon

PASSOS PARA A COMPLETA CRUCIFICAÇÃO DO EU
I.                 O primeiro passo dado pela alma que se entregou fomal e permanentemente para Deus, é colocar aquilo que pode ser chamado de poderes externos – isto é,  as propensões e apetites naturais, -- em submissão.  O estado religioso da alma em alguns momentos é caracterizado por aquela simplicidade que demonstra sinceridade, a qual é sustentada pela fé. Dessa maneira a alma não age por si mesma, mas segue e coopera, com todo seu poder, com a graça que lhe é dada. Isso leva à vitória através da fé.

II.               O segundo passo é cessar de descansar nos prazeres da sensibilidade interior. Nessa fase, a  luta é em geral mais severa e prolongada. É difícil morrer para aqueles desejos e preazeres de nossa primeira experiencia com Deus, os quais nos fazem sentir tão alegres, e que Deus, de maneira geral, nos permite desfrutar e descansar sobre eles. Qnado perdemos nossa alegria interior, ficamos muito propensos a pensar que perdemos o próprio Deus;  não considerando que a vida moral da alma não consiste em prazeres, mas em união com a vontade de Deus, seja qual for. A vitórianesse ponto é também pela fé; agindo, entretando, de uma maneira um pouco diferente.

III.              Outro passo é a crucificação completa de qualquer confiança em nossas virtudes, quer sejam interiores ou exteriores. Os hábitos da vida do “eu” se tornam tão fortes, que raramente não existe alguma coisa com a qual não temos algum grau de complacência. Havendo ganho vitória sobre os sentidos, e havendo se fortalecido de maneira que possa viver pela fé, independente de animação e prazeres interiores, a alma começa a ter certo grau de satisfação, o qual é secretamente egoísta em sua virtude, em sua verdade,  temperança, fé, benevolência, e descansa nessa satisfação como se ela fosse uma virtude da própria alma, como se essa satisfação fosse  baseado nos próprios méritos. Nós devemos estar mortos para essas satisfações, considerar que elas vieram de nós mesmos; e vivos para elas sòmente nas bases de que são dons e poder de Deus. Nós devemos ignorar tais satisfações e não viver através delas, no sentido de que nossa satisfação esteja nelas;  e devemos colocar nossa satisfação sòmente  no Doador daquilo que nos satisfaz.

IV.             O quarto passo consiste na cessação ou morte daquela repugnância a qual o homem naturalmente sente para com a obras de Deus as quais estão envolvidas no processo da crucificação interior. O sopro que Deus manda sobre nós é recebido sem oposição que antes existiu e frequentemente existe com grande poder. A alma perceba a presença de Deus tão claramente em tudo; sua fé é tão forte, que as coisas aparentemente adversas, que antes eram excesivamente desfiadoras, são agora recebidas, não sòmente com aceitção mas com alegria. Beija a mão daquele bate.

V.               Quando chegarmos até aqui, talvez digamos com bastante razão, que o homem natural está morto. Então vem o quarto passo nesse processo, a NOVA VIDA, não meramente o início da nova vida, mas  a nova vida em um sentido muito superior do termo, a ressurreição da vida de amor. Todos os dons que a alma buscou através de sua própria força, e perverteu e os tornou venenoso e destrutivo em si mesmo, por busca-lo aparte de Deus, agora de maneira rica e completa retornam, dados pelos grande Doador de todas as coisas.Não é plano nem desejo de Deus de privar suas criaturas da alegria, mas Ele derrama seu cálice de amargor e esmaga toda alegria e prosperidade que as criaturas tem em qualquer outra coisa que não seja Ele mesmo. Existe uma lei moral para a alegria, a qual é imutável como são imutáveis os princípios morais. Ele esmaga a falsa alegria, ou a alegria fundada em falsos princípios, a qual é somente a precursora da miséria real, para assim Ele estabelecer a elegria verdadeira e duradoura,  trazendo dessa maneira a alma em perfeita comunhão e união com Ele mesmo, permitindo então que a alma beba da água viva vinda da Fonte Inesgotável. Assim a alma tem essa nova vida, e todo o bom e toda a alegria envolvida nisso, através da cessação de sua própria ação (isto é, cessar toda ação exceto aquela que é feita em cooperação com Deus), e deixar Deus viver e agir nelas.  

VI.             E essa vida, em sexto lugar,  se torna uma vida verdadeiramente trasformada, uma vida em união com Deus, quando a vontade da alma se torna não sòmente em conformidade com Deus de fato e de maneira prática, mas é conformada a Ele em tudo, e num relacionamento sustentável, o qual pode ser chamado de “disposição” ou “tendência”. É então que acontece tal harmonia entre o homem e a vontade divina, que pode ser considerado como tendo se tornado “um”. Suponho que esse foi o estado de São Paulo quando disse, “não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim...”. Uma alma desse tipo, que é descrita como templo do Espírito Santo, Deus, Ele mesmo é o habitante e a luz dela. “Esta alma transformada não para de crescer em santidade. É transformada sem permanecer onde estava, sem ficar estacionada. Sua vida é amor, todo amor; mas a capacidade desse amor aumenta copntinuamente.